segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Fechamentos

Não há culpa nem nada
Apenas desaprendeste 
A ler nos meus olhos 
as verdades transparentes

Escorridas em lágrima 

Finas demais 
para serem deixadas à margem
Discretas, mas poderosas
Poderiam redefinir os rumos 

Do corpo brotaram soluços cabais
Angústia e urgência
Estavam ali 
Desejo desesperado de ficar 

Por vezes intermináveis 
eu fui líquida
Acessível 
Tangível e aberta 

Os olhos aos borbotões 
Vazaram muito mais que sinais
Eram gritos,
Não ouvistes? 

Havia desejo e possibilidades
Eu estive aqui
E vistes,
Mas tinhas outros afazeres. 

Estava ali toda a vida possível
Parecias morto
Ao invés de pulso,
O nada 

Estranhei
Me fiz viúva em vida
Por isso o luto
Por isso o silêncio 

Os olhos tristes 
vageando nas coisas
A despedida inconsciente
Nas felicidades 

Fui dizendo adeus 

Desde o dia que morrestes 
Não tive mais tempo para teu ciúme
Nem para me debater
Nem para debater 

Tudo que fazias era luto e adeus
Cada palavra áspera 
escorrida da sua boca
te ajudou a morrer

Foi uma boa morte.

não foi preciso mais nada
além de te arrancar de mim
pela raiz

e me plantar no seu lugar
e por semente
no lugar que sempre foi meu


*

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