segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Ressurgências

Ser ressaqueada pelas ondas da saudade
o fundo remexido de mar revolto
ânsia de vômito e de voo 
asas de bater

Olhe de novo
a canção ainda repuxa teus lábios no riso
o riso ainda se espalha nos olhos
arqueia a sobrancelhas e enruga a testa

Ah, arquear a alma no teu riso descansado...

Ando procurando imitar teus últimos gestos
Entender desde cedo o caminho de deixar 
o prazer se espalhar pelo corpo e ir embora

As dores também

Não conter o fluxo 
e nem os fluidos

Teus olhos fechados, vó
são passarinho vagueando no mundo

Tu
que tanto viu,
que voou.

Sabiá.


*

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