domingo, 22 de maio de 2022

Origem

Abres as chaves dos mistérios
recuas o céu e arrastas 
as montanhas das dúvidas

Teu espírito
nos carcarás
nos gaviões carijós
e nas galinhas

Canta nas águas 
que escorrem da chuva
canta nos beirais e muros
reverbera fundo em minha alma

Teu amor, líquido
vibra nos trovões 
que deslizam do céu
enche meus pulmões de ar
e constitui as moléculas rígidas
de carbono 
nos troncos das florestas

O mesmo pulsar 
que me atravessa e me vê
que me funda e me funde 
na matéria de existir

Escorre agora na minha varanda
e respinga nas folhas das plantas que são minhas
mas que verdejam por estarem desde o começo dos tempos
enraizadas no teu solo fértil

Sagrado
é o azul escuro e fundo do céu estrelado

Sagrado
é o vento batendo as portas e arrastando as folhas pela casa

Sagrado
é o chão do mundo 
que descubro solo teu quando habito em ti


* * *

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