Abres as chaves dos mistérios
recuas o céu e arrastas
recuas o céu e arrastas
as montanhas das dúvidas
Teu espírito
nos carcarás
nos gaviões carijós
e nas galinhas
Canta nas águas
que escorrem da chuva
canta nos beirais e muros
reverbera fundo em minha alma
Teu amor, líquido
vibra nos trovões
que deslizam do céu
enche meus pulmões de ar
e constitui as moléculas rígidas
de carbono
nos troncos das florestas
O mesmo pulsar
que me atravessa e me vê
que me funda e me funde
na matéria de existir
Escorre agora na minha varanda
e respinga nas folhas das plantas que são minhas
mas que verdejam por estarem desde o começo dos tempos
enraizadas no teu solo fértil
Sagrado
é o azul escuro e fundo do céu estrelado
Sagrado
é o vento batendo as portas e arrastando as folhas pela casa
Sagrado
é o chão do mundo
que descubro solo teu quando habito em ti
* * *
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