domingo, 7 de agosto de 2022

Encontros

No sol do olhar de cada um cabem os contornos que o tempo esculpe ao redor. 

A gente olha e vê ali no entorno as várias camadas daquele ser, passados e presentes mais antigos e mais próximos, mudanças sutis e mudanças radicais de cabelo, corpo, estilo, roupa e jeitos de ser que variaram, mas que estiveram sempre ancorados naquela medida de sol que é o meio. 

Que é o dentro. Que é o centro. 

Os amigos da infância, da adolescência, de um tempo em que a gente mesmo era outro, se transformam, desabrocham e murcham, frutificam e voltam a reflorir, e poder enxergar em perspectiva e se deixar ver dentro, nesses vários eus que nos tornamos é o presente mais sutil da vida. 

É um presente estar presente e ter estado presente. 

As lentes da memória aglutinam as essências e surge um amor desmedido e desapegado a esses outros seres mutáveis que acompanhamos e que nos acompanham. 

Testemunhas oculares de todas as coisas que fomos e que tivemos, e que já não somos agora. 

Testemunhas de seres inteiros que ao mesmo tempo se desintegraram e se refizeram no tempo. 

Expansão e contração.

E é bonito saber que há sempre gente que permanece ali, atravessando junto a vida desde a mais antiga versão que fui.



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