terça-feira, 13 de março de 2012

Imperfeição

Era só...
uma coisinha boa transbordando-lhe o peito,
Uma estrela a mais no firmamento,
A canção preferida que não parava de tocar...

Nos rios de chuva a tremular o telhado,
No cheiro macio de abraço apertado,
Nas cores da rua sob o luar...

Ah! Finalmente sentia!
É que, de fato, descobrira algo que pouquíssimos mortais puderam descobrir. Fora incrivelmente privilegiada, e agora não conseguia desfazer o riso!
Não, não. Não eram gargalhadas. Era só... aquele tipo de sorriso que nasce entre as vísceras, sabe? Que lhe revirava o estômago e que acabava por relaxar-lhe inevitavelmente os músculos da face, que acabavam por deixar-se levar praquele sorrisinho que, por um segundo, lhe fazia a mulher mais linda do mundo.

Ah! Suas células gritavam. AH! Cada mililitro de sangue parecia estar plenamente consciente de sua nova consciência: o líquido vital fervia nas veias transformando-lhe a pele alva em carmim!

Ah!
O aroma denso de um café fresquinho,
O ventinho gelado pós-chuva na pele,
O sorriso de amigo,
A brisa de mar!

Hummm, descobrira! E era a sensação mais deliciante que já experimentara. E que experimentaria novamente toda vez que lembrasse que já experimentara.                                                        
Descobrira. Agora parecia tão óbvio! Mas, descobrira! E fora tão incrivelmente privilegiada que agora não conseguia desfazer o riso!
Não gargalhava, mas suas células gritavam. E ria aquele riso que vinha das tripas.                                   

Descobrira algo que pouquíssimos mortais puderam descobrir.

É que a perfeição que por anos buscara, e, por cansaço já cria não existir agora estava lá, debaixo de seu nariz.
E encontrara-a exatamente e absurdamente nas coisas que um dia julgara imperfeitas.

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