Elas não nascem nos belos jardins.
Não crescem organizadas ou enfileiradas.
Não obedecem à métrica humana que tenta sem sucesso regular a natureza.
São volumosas, e em grandes tufos, brotam do nada.
Rompem o concreto ou o solo compactado bem no meio de Novembro,
em meio ao calor e à secura.
Avessas à todas as condições climáticas.
Avessas às reclamações muitas que fazemos da política, do ônibus lotado,
do sol de rachar, da falta de amor.
Ninguém escolheria essa época para plantar flores: nossos corações cansados sequer ousariam pensar em cor alguma, que dirá amarelo!
Amarelo? E despontando em grandes tufos?
Completamente inadequado!
Entretanto, parece que ninguém disse para elas
que flores precisavam ser plantadas para florir.
E mesmo se disséssemos, não entenderiam.
Falam uma linguagem outra que só compreende o seguir em frente, o recomeço.
E mesmo depois de um Outubro esquisito e intragável, elas estão lá.
Em todas as beiradas de caminho.
Desorganizadas, e por isso mesmo maravilhosas.
Esperança teimosa que brota das sementes esquecidas na sarjeta.
Uma provocação ao olhar, um convite à alma para reexpansão dos horizontes.
"Ei! Olhe pela janela! Olhe o céu, e depois olhe para nós!"
Ao revê-las, decido que já é tempo de se pintar de amarelo de novo.
Com elas, reaprendo e redescubro o que sempre foi:
ainda é tempo de ser esperança.
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