No dia seguinte, a manhã estava muda.
Assim como as ruas, os carros, as bocas.
O ar, antes leve e colorido, parecia denso, cinza.
O ônibus se arrastava lenta e pesadamente, concordando que não havia motivos para pressa...
Correr para quê?
Mover-se para onde?
O peso de 56 milhões de dedos recaía sobre todas as cabeças, roubava o oxigênio das veias e o brilho dos olhares.
Rostos apáticos, pasmados, desolados.
Corações exaustos da luta.
Forças esvaídas numa guerra perdida muito antes da batalha começar.
Muitos vestíamos preto inconscientemente.
Disposição nenhuma havia para tocar no assunto.
As pessoas eram todas um mar de corpos desmaiados e olhares vageando no espaço vazio.
Era tão estranho que parecia não ser real.
Era um NÃO em letras garrafais.
Era tão duro e grave que fingíamos que tinha sido só um sonho ruim.
Tudo era susto.
Tudo era luto.
Éramos todos silêncio.
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