Ácido e náusea feitos de tédio.
Composto de notas dissonantes e todos os sons mais feios.
É de matéria densa e pegajosa : se engancha nas tripas.
Contorce o estômago e corrói o fígado.
Desunera o sangue e amarela os olhos.
Deixa a pele sebenta.
Fede.
Azeda o leite e arruína o arroz.
Enverga o esqueleto.
Escorre lento sobre tudo e respinga ao redor suas gotas indesejadas.
É sólido mas se espalha, rastejante.
Enquanto seus tentáculos se expandem e se contraem, tenho ânsia de vômito.
O danado ainda ronrona, como se merecesse carinho, e ai de mim se não o satisfaço.
Toco o invólucro gelatinoso e em lenta agonia deslizo os dedos.
O ácido estomacal sobe involuntariamente à boca : engulo.
A teia agora me enlaça e adere ao meu corpo, e já não podemos nos dissociar.
Tomo a fera em meus braços e a oculto debaixo da blusa:
prefiro que não lhe vejam os dentes, pois parecem muito com os meus.
*
Nenhum comentário:
Postar um comentário