quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Giz

Difícil é desaprender as mãos habituadas ao teu corpo
As rotas dos tremores e arrepios já tão traçadas 
Das alegrias úmidas 
Dos suores abundantes
Das risadas conjuntas 
Da leveza do abraço e do perfume envolvente 
Do olhar sério e brincante de quem muito ama mas finge esquecer
Faz passatempo e dribla o próprio choro em mais um riso descontraído
Brinca que vai hoje abrir um vinho e colocar um brega antigo
Lamentar e adorar o tempo que tivemos 
Pouco 
Mas felizmente lindo
sem nenhuma queixa 

Quero te guardar leve
Asa de passarinho 
Semente de pajeú 
Pipa 
Riso de criança 
Compasso do reggae 

Tua condução é um vento que aflora minha fé no amor para além do a dois 
Para a calma e para a dança 
Para a esperança 

Ps.:
Amores de giz 
Se fazem lindos
E somem no ar



* * *


["eu desço dessa solidão e espalho coisas sobre o chão de giz"]

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