sábado, 9 de novembro de 2024

Quase

Coleciono amores não realizados numa sacola transparente.
Quase encontros. 
Ventos que sopraram tão de leve que nem marca deixaram.
Nem volume ocuparam na sacola.
Mas estão lá.
São apenas sopro que move um meio sorriso ou outro, que riscam o céu da lembrança feito cometa breve, centelha de luz que se vai. 
Suspiro. 
Ideia passageira, rememoração.
Casa secreta de histórias que se desenrolaram numa dimensão outra, num mundo paralelo.
Portal da coincidência dos quase-destino. 
Encontro de mundos-quase. 
Pilha de dobras no espaço-tempo e buracos que a agulha quase perfurou. 
Quase. 
Pois sim. 
Acho bonita a palavra quase. 

Acho que um monte de gente já falou sobre isso de maneiras diferentes, com alívio ou com frustração. 
Quase. 
A partida de jogo que quase dá a vitória do time favorito.
O voo que quase deu pra pegar.
A meta que quase deu pra bater. 
O projeto que quase dava certo mas foi pra gaveta. 

Pois pensei agora que antes do quase e com o quase tem um universo tão denso de coisas que acontecem que a gente até  que podia ser mais generoso um pouquinho com o quase e saber que nele, ali, já tem tanta beleza que já basta. 
Tanta energia de vida, tanta pulsão, tanto trabalho e tanto desejo.
Tanto movimento. 

Pois sim.
O quase já é. 

E não é uma palavra bonita pra dizer assim letra por letra? 
Q u a s e ?



* * *



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