De novo no signo das águas
O sol
O pensamento se vê líquido
Sem sustança
Apenas substância
Que se esvai e se contorce tarde afora pela chuva
Serpenteia
Contorna
Caminha a esmo
Não chega
Enrola no caminho fazendo todas as voltinhas possíveis
Volteando o impossível
Delineando o inevitável
a preguiça como guia
Esvaindo o resto da luz do dia
Logo será noite
E o artigo terá que se fazer à luz elétrica
[Ninguém quer dar a luz à um artigo quando o sol está em câncer]
A vida afoita pela água se demora nas madrugadas de sono bem dormidas
Nos sonhos profundos e bonitos
No acordar lento e manhoso que faz a cama parecer uma grande teia ou um enorme pote de mel que gruda todas as asas e condiciona os mortais à lua minguante
Rebatidos no chão e arrastantes
Corpos-rios-mansos
Antigos
Líquidos
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