Ai, caramba! Ai que me abriram o peito sem nem anestesiar!
Ai! Ai que o bisturi rasgou fundo a carne, sem dó, e sangro agora sem cessar!
Ai, ai, ai!
Ai que nem sei a razão de tudo doer-me assim tão de repente, e eis-me aqui, feito demente, enlouquecido, sem entender.
Mas peraí.
Que é que eu fiz pra tanta dor merecer?
Ai! Ai, que o sangue arde, ai que e a pele queima, e o couro arde sem porquê!
Ai que tudo dissolve, que tudo em mim contorce, não chega nunca o amanhecer!
Ai, madrugada! Não entristeças assim o meu olhar, queres ver-me padecer?
Oh! Como sofro, como morro: e vou vivendo de morrer!
Ai!
Ai que em tantos ais eu já nem sei mais em que trapo estou
Caricaturo estes versos feito a prosa que era vossa mas que em mim ficou.
Era aquela prosa que eu queria prosear, se junto ti,
mas não estou e faço versos pra lembrar que nunca lhe esqueci.
Sabe, te amei, ouviu?
Quem sabe ame ainda.
Se um dia os nervos me faltarem faça o favor de me lembrar.
Me diga: deu a louca!
Mais uma vez me beije a boca.
Me olhe fundo, bem nos olhos que não vou me enganar.
Mesmo que passem anos
e que se desfaçam planos
esse poema exagerado há de dizer, eternamente:
quero lhe ver chegar.
*
*
*
P.s.: Perdoe as hipérboles, mas é que a saudade me degenera as células cerebrais.
Fazer o quê, né?
Ah, e meus neurônios me mandaram lhe dizer que não são de ferro ainda, portanto trate de voltar.
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