Se a matéria prima que constitui o amor fosse plástica,
ou se os tempos fossem outros, teríamos nos amado.
Se aquele que eu era vislumbrasse o ser que eu seria,
se as dimensões tempo-espaço pudessem ser atravessadas,
eu facilmente viajaria e me diria para cultivar você.
Eu teria me dito pra ler o seu jeito e escolher melhor as palavras,
me forçaria a emergir da minha confusão e olhar para você.
Será que eu veria?
Te enxergaria?
Cada flor que brotou da sua boca, e que não colhi?
Perceberia em seu olhar a dor-esperança-mistério-desejo?
Teria me dado a você?
Hoje, no escorrer das horas e por entre os assaltos das lembranças,
decido que era justo ter te deixado entrar.
Nada me parece mais correto, nada mais bonito...
Que a melodia escancarasse as portas do meu ser.
Que depois dos acordes tivesse havido o beijo.
Que eu te trouxesse flores.
Que eu te abraçasse de um jeito melhor.
Que eu te olhasse um pouco mais demoradamente.
Que eu deixasse você ler o que eu sou.
Você me entregou seus tons e gestos e palavras...
Ternura e canção.
Quem dera eu soubesse me dar,
e acolher teu coração
*
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