quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Aos amores desperdiçados

Se a matéria prima que constitui o amor fosse plástica,
ou se os tempos fossem outros, teríamos nos amado.

Se aquele que eu era vislumbrasse o ser que eu seria,
se as dimensões tempo-espaço pudessem ser atravessadas,
eu facilmente viajaria e me diria para cultivar você.

Eu teria me dito pra ler o seu jeito e escolher melhor as palavras,
me forçaria a emergir da minha confusão e olhar para você.

Será que eu veria?
Te enxergaria?

Cada flor que brotou da sua boca, e que não colhi?
Perceberia em seu olhar a dor-esperança-mistério-desejo?
Teria me dado a você?

Hoje, no escorrer das horas e por entre os assaltos das lembranças,
decido que era justo ter te deixado entrar.
Nada me parece mais correto, nada mais bonito...

Que a melodia escancarasse as portas do meu ser.
Que depois dos acordes tivesse havido o beijo.
Que eu te trouxesse flores.
Que eu te abraçasse de um jeito melhor.
Que eu te olhasse um pouco mais demoradamente.
Que eu deixasse você ler o que eu sou.

Você me entregou seus tons e gestos e palavras...
Ternura e canção.
Quem dera eu soubesse me dar,
e acolher teu coração 

*

Nenhum comentário:

Postar um comentário