Seus olhos
Lampejos da noite
Pedem tudo num átimo
Suplicam urgentes
todas as coisas fundas
Profundas águas vastas
Que não cabem nos mares
Que matéria corpórea
Que textura de pele
poderia acolher
Todos os barris de pólvora
Tantos relances
Todos os tiros
Todas as letras
Que estrutura elástica
Aceitaria de bom grado
Ser atingida por suas enchentes
Estar sujeita aos desmoronamentos
Ser floresta submersa
Reconfigurada
Igapó
As folhas se alastram
Com a chegada das chuvas
Os olhos das matas ressurgem
E lampejos começados discretos
Como luzes vagantes
Terminam dentro
Acesos como o sol
*
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