sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Vaga-lumes

Seus olhos
Lampejos da noite
Pedem tudo num átimo 

Suplicam urgentes
todas as coisas fundas
Profundas águas vastas
Que não cabem nos mares 

Que matéria corpórea 
Que textura de pele 
poderia acolher 

Todos os barris de pólvora 
Tantos relances
Todos os tiros
Todas as letras 

Que estrutura elástica 
Aceitaria de bom grado 
Ser atingida por suas enchentes
Estar sujeita aos desmoronamentos
Ser floresta submersa
Reconfigurada
Igapó 

As folhas se alastram
Com a chegada das chuvas
Os olhos das matas ressurgem 

E lampejos começados discretos
Como luzes vagantes 
Terminam dentro
Acesos como o sol


*

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