terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Corpo de luz

É bonito regar com os olhos míopes outros olhos de sonho
Tecer linguagem no corpo de luz da lua 
Trançar os fios que ligam ao outro lado da rua 

Você, miragem
Não prevê o peso da bagagem
Não recua nem desenha margem
Não deseja forma nem imagem 

Me afundo em seus olhos profundos
E mesmo assim não fecho as portas
Te digo que as vezes, desavisados
Quando você abre a guarda 

Enxergo de relance os seus segredos
Seus pedidos sem palavras 
Você diz não querer nada
Mas sei : o mundo inteiro já é seu 

Quando você baixa a guarda
Quando pisca 
Quando pausa entre os assuntos
Fica tudo muito à vista 

Sua insistência em me chamar estrela
Seu amor pelos vaga lumes 
Pelas réstias de luz 
Suas semicoisas 

Saiba
Pois
Todas as coisas me contam
Cochicham 

Indicam
Apontam teus olhos
Segredam teu dentro
Tuas constelações 

Me abrem teu peito 
Denunciam você
Num relance descubro
Num descuido percebo 

Relembro teu olho : tudo cabe
Muito espelha no que vê 
Quando você é silêncio,
Da superfície se lê.

Respiro,
Olho dentro:
Te vejo. 

Seus olhos 
tem jeito de infinito.


*

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