sábado, 19 de fevereiro de 2022

Casa

Estou morando em olhos nenhuns
A minha casa, a beira das cajazeiras
Me abre para dentro como as janelas 
Se abrem para o sol 

As minhas portas, escancaradas pelo vento 
tudo recebem de cor e de cór 
e deixam fluir

Ainda há cascalhos
E conchas
E muito lixo em minhas águas
E tudo se mistura e transborda 
nas abundantes gotas fevereiras 

Até pareço um tanto mais fluida 

E palavras me atravessam
E canções me atravessam
E batuques e danças 
me transpassam 

Me transponho 
para tons agudos
Garganta e corpo 
vibram em outras notas 

Me componho 
em pautas livres
Em meus pés que dançam 
em outras paisagens 

Me aproximo de energias mais densas 
Olhos repletos de magnetismo
Corpos que acolhem 
Mãos poderosas
Fervuras em potências de mover 
Liberdades construídas de muitos jeitos

Gente que samba ao som das marés
Que pula em brincadeira e ritmo
Que tem prazer em se deixar levar 

Olho 
Guardo 
Coleciono
Fotografo no olho
Agradeço 

Sinto 

Ainda não vi nada, 
nada sei. 



                 " Desde que sim 
                   eu vim
                   Morar
                   (Nos meus) olhos". 
                   inspirado em Âmbar, da Adriana Calcanhotto
                        https://www.youtube.com/watch?v=kEkK5_JyY4k




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