terça-feira, 5 de março de 2013

Caricatura da saudade


Ai, caramba! Ai que me abriram o peito sem nem anestesiar!
Ai! Ai que o bisturi rasgou fundo a carne, sem dó, e sangro agora sem cessar!
Ai, ai, ai!
Ai que nem sei a razão de tudo doer-me assim tão de repente, e eis-me aqui, feito demente, enlouquecido, sem entender.
Mas peraí.
Que é que eu fiz pra tanta dor merecer?

Ai! Ai, que o sangue arde, ai que e a pele queima, e o couro arde sem porquê!
Ai que tudo dissolve, que tudo em mim contorce, não chega nunca o amanhecer!

Ai, madrugada! Não entristeças assim o meu olhar, queres ver-me padecer?
Oh! Como sofro, como morro: e vou vivendo de morrer!

Ai!

Ai que em tantos ais eu já nem sei mais em que trapo estou
Caricaturo estes versos feito a prosa que era vossa mas que em mim ficou.

Era aquela prosa que eu queria prosear, se junto ti,
mas não estou e faço versos pra lembrar que nunca lhe esqueci.

Sabe, te amei, ouviu?
Quem sabe ame ainda.
Se um dia os nervos me faltarem faça o favor de me lembrar.

Me diga: deu a louca!
Mais uma vez me beije a boca.
Me olhe fundo, bem nos olhos que não vou me enganar.

Mesmo que passem anos
e que se desfaçam planos
esse poema exagerado há de dizer, eternamente:
quero lhe ver chegar.

*
*
*

P.s.: Perdoe as hipérboles, mas é que a saudade me degenera as células cerebrais.
Fazer o quê, né?
Ah, e meus neurônios me mandaram lhe dizer que não são de ferro ainda, portanto trate de voltar.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Lembranças do presente


É só o vento soprar de leve e a noite estar repleta de estrelas ou de nuvens ou de luz de lua, ou até nem ser noite ainda e o sol sei lá onde se escondeu que eu só vejo as indecisas cores crepusculares mixadas no azul, ou ainda que o mesmo vento seja só brisa - um quase nada de ar mexido que timidamente se faz sentir na fineza do tato da pele, ou até que nada me faça lembrar...

Ainda assim, o nada me lembra de uma coisinha acolá que não posso esquecer... A melhor que já me aconteceu. O melhor presente que a vida me... Deus.

E só pode mesmo ter vindo do alto uma invenção assim escandalosa, de tão boa que é.

É meu I feel good so good so nice, é quem me traz aos ouvidos todos os refrões de todas as canções que eu gosto de cantarolar: e é refrÕES sim, desobediência deliberada ao plural, que é pra rimar e deixar correr estas letras que me fervilham as entranhas protestando tinta e papel e flor de laranja lima...

Ah, quer saber? Que se dane a norma culta com toda a sua estética normativa e normalizante e que a nova ortografia faça rei o neologismo: precisa-se de palavras novinhas em folha pra escrevinhar mais nitidamente a sombra do sentir que sinto! Ó, sim! Um dicionário inteiro com fusões das mais belas palavras em outras novas que talvez consigam especificar o que se sente ao se sentir assim...

Ó, e que venham as redundâncias! Que se vista de pleonasmos o meu discurso! Quem sabe assim ele expresse mais claramente o quanto entra pra dentro das veias isso que chamam de amor, que invade sem pedir licença e que feito João de Barro faz o ninho em pura simplicidade, com o próprio pó de que somos feitos, naquele buraquinho da alma que faltava pra fazê-la inteira...

É o que tem feito a sua vida na minha vida... Ela virou mais inteira, mais completa, mais densa e intensa apesar de senti-la inexplicavelmente mais leve cada vez que cai a ficha de quanta sorte tenho de te ter...

Ah, quem me dera uma aliteraçãozinha qualquer, escrita de um jeito que finalmente me fizesse fazer ouvir algo feito o teu sussurro, sibilando suave sobre a suspeita de saber que sei que sou sua, simplesmente...

É tão rara a reciprocidade de um amor nestes tempos... Tempos que se dizem tão modernos, mas que privam cada vez mais gente da explosão evolutiva que é o exercício do amor, da iluminação que é amar... Curiosamente, somos raros.  E quem tem a raridade nas mãos vira guardião eterno de algo que encontra-se cada vez menos num mundo que sucumbe à superficialidade das aparências, à futilidade da estética...

Quem tem a raridade nas mãos sabe o quanto a superficialidade opõe-se à profundidade do amar, e descobre-se cada vez menor diante da grandeza daquilo que guarda... 

Quem ama descobre que tem gotinhas de divindade misturadas ao próprio sangue, pequenas partículas da perfeição divina concedidas a nós mortais...

Desconfio de que quando o Criador disse que somos feitos à sua imagem e semelhança, o que ele queria mesmo era nos contar um segredo: o de que, feito ele, somos capazes de amar.
Feito ele, temos um coração que é o perfeito habitat do amor.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Cariri


   Faltavam cinco minutos pra meia noite, e depois de 11 intermináveis horas de estrada, chegaram ao hotel, que logo descobriram ser uma pousada. Que logo descobriram ser uma “pensão estudantil”, que logo descobriram não ter ar-condicionado, e nem ventiladores que dessem jeito no calor infernal que fazia.
Mas tudo bem, os quartos tinham janelas.
“De madrugada o tempo esfria”.
Só que não.

...
   
   Às cinco e meia da manhã, batidas violentas na porta do apartamento lhes arrancaram do sono que a pouco tinham conseguido agarrar-se.  Ainda meia zonza, ela reconheceu a gangue feminina que entrava furiosamente no quarto, liderada por ninguém menos que a professora de Geologia. Todas elas gritavam, histéricas, decididas a eliminar a preciosa indolência matinal e obrigá-las iniciar o dia.

   Tomaram café sob a custódia de Alan, o guia turístico, que não parava de consultar freneticamente o relógio de pulso com o qual parecia ter nascido, numa compulsão absurda por cumprir detalhadamente o roteiro de visitação que havia criado para matar os pobres alunos do segundo ano. Seu plano era tê-los mortos no fim do dia, para que dormissem todos logo após o jantar.

   Assim que entraram no ônibus, o adorado guia turístico começou a lavagem cerebral em torno daquela nova propaganda do Governo do Estado do Ceará, “ô, ceará, eu vou, eu vou, eu vou te visitaaar, te curtiiir, te dividiiir, pra todo mundo vou te mostraaar...” – após 30 minutos de repetição, a melodia era simplesmente enlouquecedora.

   Depois de algum tempo dentro da condução, os ouvidos começaram a tapar em função da variação de pressão atmosférica: estavam em Juazeiro, subindo a colina do horto, rumo aos pés de Padre Cícero Romão Batista, com direito à passagem pelo museu de cera.  Mais alguns minutos de caminhada já encontravam-se em meio à feira local, e desvencilhando-se dos vendedores de fitinhas coloridas, chegaram até o museu.

...

   Ela entrou devagar, absorvendo os detalhes das fotografias e peças expostas, mas ao chegar à sala das graças alcançadas, os arrepios espinhais sucessivos que sentiu ao visualizar as centenas de mãos e pés e cabeças de madeira pendurados fizeram-na caminhar rapidinho porta a fora, e instintivamente, seguir rumo à luz que vinha da beira da chapada, de onde pôde contemplar uma das mais belas vistas da depressão sertaneja: feito uma panela de barro, a chapada circundava (e cozinhava) as cidades do Geopark Araripe, guardiãs das riquezas arqueológicas cearenses... Um completo deleite para os olhos, que, afogados na amplitude da visão, nem sabiam o que enxergar primeiro...
   
   Deixou-se estar ali, por nem sei quanto tempo, absorvendo o esplendor da paisagem à sua frente, observando os pássaros a brincarem livres naquele magnífico cenário, desejando ardentemente possuir asas que lhe permitissem mergulhar em todas aquelas cores, almejando fundir-se a toda aquela beleza que lhe chegava aos olhos em doses fortes demais para que resistisse ao sorriso que se formou no canto de sua boca, e que ali ficou...
   
   O que se via ali era no mínimo, surpreendente... Em meio ao forte calor, à sequidão em que encontrava-se a vegetação pela falta de chuva e apesar das inúmeras carcaças de gado morto que via-se pelo caminho, a natureza insistia em transmitir seus sinais inconfundíveis de beleza, como que a dizer, infinitamente:

“Enquanto houver vida, haverá esperança...”

   Mantendo os olhos vívidos, ela deixava-se embriagar pela paisagem, abobalhada com a plenitude que a cena lhe transmitia, a alma feito camaleão fotografando lentamente cada detalhe do que via e inevitavelmente colorizando-se com as cores daquele Cariri que mesmo seco, emanava vida...

   
E só por aquele momento, já valera a pena estar ali...


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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Apagão em fundo de quintal


A chama trêmula da vela acesa sobre o pires de porcelana fazia o véu da noite tremer inteiro à sua vista, banhando o profundo azul de sol como fosse dia, numa fusão de cores tão intensas quanto sutis, que embriagavam-lhe o olhar desatento a vagar por entre as estrelas do céu...

Permanecia ali, os pés pendurados, consumindo as cores como um ópio que lhe concedia a insanidade necessária para que entendesse a linguagem da lua e pudesse trocar umas idéias com ela, que lá de cima, enxerga melhor as coisas todas que cá ocorrem. 

Ali, a escuridão lhe fazia redescobrir a plenitude que é banhar-se de lua enquanto respira-se estrelas, a alma derretendo em sorriso...

Era linda a forma como a luz alaranjada sobre a cesta de flores azuis recortava o céu em retas e curvas mais-que-perfeitas. Ali, a assimetria parecia ser a explicação para aquelas percepções visuais impecáveis apesar de tanta irregularidade nas formas: uma verdadeira tese escrita contra a crença humana na beleza puramente simétrica, e nem era necessário usar sequer uma palavra. 

As roupas que há dias pendurara no varal ainda permaneciam ali, suspensas no ar e largadas ao vento, deixando-se levar pra onde quer que a brisa as levasse, mergulhadas em plena suavidade, parecendo estar mesmo convencidas de que, naquela noite, eram as primeiras bailarinas do espetáculo que ali se via...

É claro que não havia música no ar: a rede elétrica encontrava-se em queda, e ninguém se propunha a pegar o violão empoeirado. Além disso, as baterias dos celulares tinham descarregado no meio do dia. 
Entretanto, o silêncio era musical. Não reinava absoluto: vez ou outra o vento sibilava macio contra a folhagem da samambaia num canto de parede, dando breves pausas à musicalidade que só a ausência do som é capaz de fazer ouvir.

Ali, pés pendurados, dava-se ao luxo de admirar suas constelações favoritas, que feito diamantes lapidados luziam cravejadas no manto celeste, tão bem dispostas quanto os botões das camisas de algodão que a avó costumava costurar. Eram pontinhos tão reluzentes que lhe confundiam a vista, fazendo-a piscar repetidas vezes a fim de recuperar o foco...

Ali, pés pendurados e café com leite morninho a descer pela garganta, recuperava a poesia que há tempos parecia ter-lhe abandonado, mas que na verdade havia simplesmente adormecido por entre a freneticidade da rotina metropolitana e que ali, em meio ao apagão, ressurgia junto à chama trêmula, à luz de velas brancas... 
E daquelas que se compra na vendinha do bairro, mesmo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Coisas de sabiá


   Acabara de ser atingido pelo companheiro de bando e ainda estava meio desorientado. Mas sabia que tinha que dar seu jeito, limpar o corpo e continuar vivendo que a batalha não ia acabar tão cedo.  Na hora do disparo ainda estava na antena de transmissão, mas quando fora atingido saiu a esmo, e ao cair em si, estava em cima de um galho da goiabeira. Olhou de lado e viu outros companheiros na mesma condição. A mesma cara de desespero, um brilho sinistro na vista embaçada pós- ataque.  Ali, no galho, recuperando-se do susto, Dorim planejou sua reviravolta: daria o troco. Os companheiros de galho pareciam ter os mesmos sentimentos que os seus. Queria estar lá em cima da antena, e aí, mirar em quem estivesse no degrau de baixo.  Queria ver se repetir a cena que à pouco vivera: o atingido sairia a esmo, vista turva e sentidos sem direção, até achar-se num galho da goiabeira. E ele, lá de cima da antena, sorriria, feliz.

   Resolvera aproveitar e beliscar uma goiaba, enquanto arquitetava a vingança. Pensando bem, podia ir mais longe, quem sabe achar uma outra antena com um outro desavisado na grade de baixo. E aí... puf! Atirava.  Seria interessantíssimo. Só precisava achar uma goiabeira e uma antena.
   
   Resolveu então partir em busca do lugar perfeito para a execução do seu plano perfeito.  Passou por bosques e jardins, atravessou florestas e mangues...  Subiu e desceu montanhas, se aventurou no concreto das construções... desceu por uns abismos  e avistou os trilhos do metrô... emergiu das profundezas e sujou os pulmões com o ar da metrópole...

   Já ia cansando-se de perambular, quando, ao ver uma fileira colossal de postes de energia interligados por um montão de fios pretinhos, a luzinha do seu cérebro acendeu.
É aqui! É aqui! - gritava seu subconsciente.
Agora era só ir pro fio de cima e esperar alguém chegar no fio de baixo.  E foi.
Não demorou muito e outros juntaram-se a ele. E aí, que felicidade!  Começou a atirar que nem um louco em quem estava embaixo. Mas não acertou em ninguém. E aí, quando ele percebeu, estava sozinho de novo. Os outros foram pra bem longe, agora. É que perto do poste não tinha goiabeira. Aí, enraiveceu-se, e mirou no chão, mesmo.  E foi embora procurar a goiabeira, pra poder abastecer de novo.

   Acabou esquecendo-se do que tinha acontecido no poste e continuou a vida.

   Umas primaveras depois, passou perto do poste sem querer. E quando viu, viu uma goiabeira.  E aí, ficou tão, tão, tão, feliz que percebeu que nem tava mais triste por não ter conseguido atirar em quem tava na grade de baixo naquele dia que não tinha goiabeira. Porque agora tinha goiabeira, e porque era toda dele porque no dia em que tinha comido goiaba, atirou no chão e a goiabeira nasceu!  
Os outros sabiás, quando viram que sabiá Dorim tinha uma goiabeira só dele, resolveram também sair poraí atirando no chão pra ter uma goiabeira só sua, linda de morrer feito aquela...

   E aí, umas primaveras depois, debaixo da fileira colossal de poste de energia, agora tinha uma fileirona linda de goiabeira cheia de goiaba madura. E um belo dia, quando a dona Clara que morava na casa da antena voltou pra casa de metrô, não sujou mais os pulmões com o ar da metrópole! 

É que umas primaveras atrás, Dorim plantara umas sementinhas embaixo do fio do poste, e aí, umas primaveras mais tarde, tudo tinha ficado melhor.



*

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Procura-se um poeta


 É, lembro dele sim...
Até definições lhe eram tocadas pela criticidade...
Costumava retocar até obras completas...
E até num copo d’água esborrotando, fazia gotejar suas impressões...

Pensava, imaginava, agia. Criava uns mundos. Desfazia outros.
E no silêncio da noite, chorava. É, chorava.
Esvaía-se da consciência, da moral, despia-se de preconceitos, e tão somente vazava pelos olhos. 
É que era tudo tão... perfeito.
Cada detalhe do viver lhe era incompreensivelmente compreensível.
A vida simplesmente fluía, sublime.

E as lágrimas complementavam-lhe o existir.

Tinha descoberto que o sofrer lhe faria crescer, e sofria como adubo espiritual.  Não hesitava em regar a alma se a terra se encontrasse seca.
Sim, amava. Com todas as forças que tinha, e junto ao seu sinônimo, o sofrer.
Apaixonadamente, apaixonava-se pelo máximo que podia.
E por pessoas, sabores, pelo mar e suas cores...  
Por olhares, sorrisos, em tudo que enxergava, via paraísos...

Até que um dia lhe compraram óculos, e um lenço azul para limpar as lentes. 
Agora o mundo parecia nítido demais... até doía na vista!
E via rugas nas pessoas, dentes amarelos nos sorrisos e esgotos nos paraísos.
E sua alma leve já não flutuava. 
Tornava-se aos poucos, infeliz.

E quando já quase sem cor na alma, terra seca rachada sem chuva, teve uma idéia que lhe salvou o existir: quebraria o óculos, é claro!
E quebrou. Mas quebrou só as lentes, e pronto: o mundo era bonito de novo. 

E aí, amarrou o lenço azul feito gravata borboleta e saiu poraí, borboleteando.
Quando passou poraqui, parecia que ia flutuar de tanta felicidade. Assobiava feito passarinho.

Dizem que dobrou ali na esquina, os olhos rasos d’água, jurando que via paraísos...
Onde?
Ora, deve estar por aí, seu moço. 
Tenho mais o que fazer que vigiar um fazedor de poemas, não acha? 
Passar bem.

Deliciosos clichês


Meu amor, desista. Não há como fugir dos clichês.
Mesmo quando você tentou fugir deles em suas letras, você as leu para mim sob a luz das estrelas...
Você me abriu a porta do seu carro, me beijou no portão...
Namoramos no banquinho da praça, dançamos sem música no meio do nada...

Quando eu te fiz uma canção e não cantei, você me escreveu, e não leu. E quando eu não te liguei, você fez birrinha e não ligou. Puro clichê.

Você me liga sempre pra dizer que tá com saudade, pra desejar bom dia,  pra desejar boa noite:  “ vou sonhar com você. Sonha comigo, tá, gata?”...

E aquela vez, lembra? Simplesmente não conseguíamos dar tchau ao telefone! Nunca pensei que essa história de “desliga você” fosse mesmo existente no mundo real. Aliás, isso é mesmo real? Será que não estive sonhando? “Ah, me belisca aí, vai!”

Não tem jeito, meu bem.  Somos mestres nos clichês, mesmo sem querer, e mesmo não querendo.
Ahh meu amor, amor meu...
Parece mesmo que você sempre esteve aqui. Talvez porque já estivesse mesmo, fotografado aqui no meu olhar, guardado em algum lugar da minha mente, num cantinho que só se fez mostrar quando você chegou...
E... se todos estes clichês existem de fato, porque não usá-los não é?

Pelo menos de vez em quando, prometo te dedicar um clichê.
E só pra ver no teu rosto esse sorriso que eu adoro, te escrevo uns clichês.
Clichês de coração.
Alguns meio bregas mesmo. Outros nem tanto.
Mas todos deliciosos.
Deliciosos clichês.