É bonito regar com os olhos míopes outros olhos de sonho
Tecer linguagem no corpo de luz da lua
Trançar os fios que ligam ao outro lado da rua
Você, miragem
Não prevê o peso da bagagem
Não recua nem desenha margem
Não deseja forma nem imagem
Me afundo em seus olhos profundos
E mesmo assim não fecho as portas
Te digo que as vezes, desavisados
Quando você abre a guarda
Enxergo de relance os seus segredos
Seus pedidos sem palavras
Você diz não querer nada
Mas sei : o mundo inteiro já é seu
Quando você baixa a guarda
Quando pisca
Quando pausa entre os assuntos
Fica tudo muito à vista
Sua insistência em me chamar estrela
Seu amor pelos vaga lumes
Pelas réstias de luz
Suas semicoisas
Saiba
Pois
Todas as coisas me contam
Cochicham
Indicam
Apontam teus olhos
Segredam teu dentro
Tuas constelações
Me abrem teu peito
Denunciam você
Num relance descubro
Num descuido percebo
Relembro teu olho : tudo cabe
Muito espelha no que vê
Quando você é silêncio,
Da superfície se lê.
Respiro,
Olho dentro:
Te vejo.
Seus olhos
tem jeito de infinito.
*
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluir